ÁCIDO ACETILSALICÍLICO NA PREVENÇÃO PRIMÁRIA DE DOENÇA CARDIOVASCULAR

Autores

  • Cristina Ferreira Tavares USF S. Félix/Perosinho
  • Helena Marques USF S. Félix/Perosinho
  • Manuel Oliveira USF S. Félix/Perosinho
  • Sofia Marçalo USF S. Félix/Perosinho

DOI:

https://doi.org/10.35323/revadso.792019103

Resumo

Introdução: A doença cardiovascular (DCV) constitui uma das principais causas de morbimortalidade mundial. O risco cardiovascular SCORE (Systematic Coronary Risk Evaluation) estima o risco a 10 anos de um evento aterosclerótico fatal. O uso do ácido acetilsalicílico (AAS) em doentes com DCV prévia associa-se a diminuição da mortalidade e a novos eventos cardiovasculares, estando comprovado o seu benefício. Contudo, em prevenção primária (PP), atendendo à menor incidência de eventos cardiovasculares, o balanço risco-benefício é menos claro.

Objetivos: Avaliar a prevalência da prescrição do AAS na prevenção primária de eventos cardiovasculares nos doentes de muito alto risco (SCORE ≥ 10%) e verificar se existe maior taxa de prescrição naqueles que apresentam vários fatores de risco. Como objetivos secundários pretende-se avaliar a prevalência desses fatores de risco e caraterizar a população, definindo o perfil do doente elegível para AAS.

Métodos: A população do estudo foram doentes com Diabetes Mellitus (DM) com idades entre os 50 e os 70 anos, de muito alto risco cardiovascular, sem doença cardiovascular aterosclerótica documentada, da Unidade de Saúde Familiar S. Félix/Perosinho. Foram selecionados todos os doentes diabéticos que apresentassem concomitantemente um ou mais fatores de risco cardiovasculares.

Resultados: Obteve-se uma amostra final de 234 doentes (72,2%), com uma média de idades de 62 anos e com uma distribuição homogénea entre os sexos. Desta amostra, 24,8% dos doentes encontravam-se sob terapêutica com AAS em PP. Nenhum doente apresentava diagnóstico de DM isolada, e que quanto maior o número de fatores de risco cardiovasculares, maior a percentagem de prescrição de AAS.

Discussão: A taxa de prescrição de AAS como PP encontrada neste estudo reflete a variabilidade nas indicações para prescrição. O doente elegível não se encontra sob AAS como PP (75,2%). Assim, a definição do perfil do doente elegível é crucial atendendo que permitirá realizar estudos mais dirigidos a este grupo.

Biografias Autor

Cristina Ferreira Tavares, USF S. Félix/Perosinho

Médica Interna de MGF

Helena Marques, USF S. Félix/Perosinho

Médica Interna de MGF

Manuel Oliveira, USF S. Félix/Perosinho

Médico Interno de MGF

Sofia Marçalo, USF S. Félix/Perosinho

Os autores declaram não possuir qualquer tipo de conflitos de interesse.

Referências

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Publicado

2019-02-26

Edição

Secção

Investigação