Caraterização dos comportamentos suicidas entre 2014-2016 no Alto Minho e sua relação com os Cuidados de Saúde Primários

Autores

  • Cíntia França USF Vale do Lima, ULSAM
  • Ana Rita Rebelo USF Cuidarte, ULSAM
  • Carlota Saraiva USF Vale do Vez, ULSAM
  • David Norinho UCSP Viana do Castelo, ULSAM
  • Aníbal Fonte Departamento de Saúde Mental, ULSAM

DOI:

https://doi.org/10.35323/revadso.792019105

Resumo

Introdução: Apesar de estar demonstrado que as pessoas que cometem suicídio apresentam maior probabilidade de consultarem o Médico de Família (MF) do que um especialista em Saúde Mental no mês anterior à sua morte, a abordagem deste assunto na consulta continua a ser limitada.

Objetivos: Caraterizar o perfil sociodemográfico e clínico do doente internado no Hospital de Viana do Castelo, com idade igual ou superior a 18 anos, por comportamento suicida entre 2014-2016 e avaliar o seguimento por parte do MF antes e após o episódio.

Métodos: Estudo transversal, retrospetivo, observacional. As variáveis estudadas foram: o perfil sociodemográfico, a caraterização do internamento, os antecedentes médicos e o seguimento anterior e posterior no MF. Os dados foram obtidos através da consulta do Sclinic® e Plataforma Dados para a Saúde®. Foi feita uma análise estatística e inferencial dos dados usando o programa SPSS versão 23, com um nível de significância de 0,05.

Resultados: Foram estudados 113 doentes, 64.6% eram do sexo feminino e a idade média foi de 44 anos. A maioria dos doentes reportava tentativa prévia, 77% estava sob tratamento com psicofármacos e cerca de metade tinha algum tipo de consumo tóxico. A ingestão medicamentosa foi o método preferencial (65.9%) e a perturbação depressiva constituiu a patologia psiquiátrica mais frequente. Verificou-se que a probabilidade de ocorrer tentativa de suicídio era maior nos indivíduos que não tinham terapêutica ansiolítica (p=0,02). Os indivíduos que procuraram o seu médico previamente são também os que regressam mais cedo ao Centro Saúde após a alta hospitalar (p<0,05).

Discussão: O tratamento adequado da patologia psiquiátrica e a pesquisa ativa de ideação suicida em indivíduos de risco são fundamentais para combater este problema. O médico de família, pela proximidade privilegiada com o seu utente, tem um papel crucial na prevenção do suicídio.

Downloads

Publicado

2019-02-26

Edição

Secção

Investigação