A Capacitação na Consulta de Medicina Geral e Familiar: Como se Comporta ao Longo do Tempo Após a Última Consulta

Autores

  • Filipe Vaz
  • Luiz Miguel Santiago
  • Francisco Carvalho

DOI:

https://doi.org/10.35323/revadso.23201419

Resumo

Introdução: É importante estudar em Medicina Geral
e Familiar o ganho que os consulentes adquirem após
contacto com o médico de família, avaliando-se alterações
da capacitação após este contacto e diferenças
consoante o tempo decorrido desde a última consulta.
O estudo teve como base um instrumento validado para
o efeito, o Instrumento de Capacitação do Consulente.
Metodologia: Este foi um estudo observacional, transversal,
em que o Instrumento de Capacitação do Consulente
foi aplicado oralmente a 290 utentes que aguardavam,
na sala de espera do Centro de Saúde da Covilhã, por
consulta médica. Registaram-se também os dados de
cada paciente relativamente ao tempo decorrido desde a
última consulta com o mesmo médico, idade, sexo, toma
diária de medicamentos, grau de instrução, atividade
profissional e se vivia, ou não, acompanhado(a).
Resultados: Em 5 das 6 questões, as respostas mais
vezes registadas foram “igual ou pior” e “igual ou menos”,
com exceção da pergunta “capaz de se manter
saudável”, em que os inquiridos responderam em igual
número “melhor” e “igual ou pior”. Invariavelmente, as

respostas menos vezes assinaladas foram “muito melhor”
e “muito mais”. Nas questões “capaz de compreender
a sua doença” (58,5% vs. 40,3%; p=0,018), “capaz
de lidar com a sua doença” (62,8% vs. 45,2%; p=0,044)
e “capaz de se ajudar a si próprio” (52,5% vs. 33,9%;
p=0,028), os pacientes consultados há menos de 3 meses
sentiam-se mais vezes “igual ou pior” ou “igual ou
menos” comparativamente com os que haviam sido há
mais de 6 meses.
Discussão e conclusão: O aumento da capacitação após
consulta com o(a) médico(a) de família foi baixo de uma
forma geral, apesar de mais marcado nos utentes que
tinham tido pelo menos uma consulta nos últimos 3
meses, provavelmente devido a patologias crónicas. O
Instrumento de Capacitação do Consulente está subaproveitado,
sugerindo-se mais estudos para perceber
melhor as alterações da capacitação na população portuguesa
após uma consulta médica.

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Publicado

2015-03-02

Edição

Secção

Investigação