Empatia e arte – poderá um programa de arte numa unidade de saúde familiar influenciar a empatia percecionada pelos utentes?

  • Teresa Tomaz USF do Minho
  • Ana Marta Neves USF do Minho
  • Benvinda Barbosa USF do Minho
  • Francisco Fachado USF do Minho
  • Pedro Fonte USF do Minho Escola de Medicina/Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde, Universidade do Minho

Resumo

Introdução: A empatia é uma técnica essencial na relação clínica, podendo ser treinada e aferida. Pensa-se que a exposição dos profissionais de saúde a programas de arte possa melhorar a empatia clínica percecionada pelos utentes; porém, desconhece-se qual a sua influência na comunicação com os utentes. Objetivos: Avaliar a influência dum programa de arte na empatia percecionada pelos utentes relativamente aos profissionais de saúde duma unidade de saúde familiar e verificar a relação entre a empatia percecionada pelos utentes e as características sociodemográficas dos mesmos. Métodos: Estudo quase-experimental, com avaliação pré e pós-intervenção, conduzido numa unidade de saúde familiar entre janeiro e julho de 2018. Utilizaram-se amostras de conveniência calculadas a partir da população inscrita na unidade de saúde familiar com idade igual ou superior a 18 anos. A intervenção, aplicada aos médicos e enfermeiros, consistiu num programa de arte constituído por três sessões referentes a cinema, literatura e fotografia. Para determinar a influência da intervenção, avaliou-se a empatia pré e pós-intervenção através do questionário “The Consultation and Relational Empathy” e dum questionário sociodemográfico. As associações entre variáveis foram testadas com testes não paramétricos (Mann-Whitney e Kruskal-Wallis) e correlação de Spearman, com um nível de significância de 0,05.Resultados: Obtiveram-se 390 e 371 questionários antes e após a intervenção. Verificou-se um aumento estatisticamente significativo da empatia percecionada pelos utentes após a intervenção (p=0,001). As únicas associações estatisticamente significativas verificadas foram com a escolaridade (p=0,000) e situação profissional (p=0,0001) no período pré-intervenção.Discussão: Demonstra-se que um programa de arte aplicado a uma equipa de saúde pode apresentar impacto na empatia percecionada pelos utentes, alertando para a possibilidade de criação futura de espaços de integração artística orientados para o ensino da empatia clínica nos cuidados de saúde primários.  

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Publicado
2020-02-08
Como Citar
TomazT., NevesA. M., BarbosaB., FachadoF., & FonteP. (2020). Empatia e arte – poderá um programa de arte numa unidade de saúde familiar influenciar a empatia percecionada pelos utentes?. Revista ADSO, 7(11), 30-37. https://doi.org/10.35323/revadso.7112019132
Secção
Investigação